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Friboi e Roberto Carlos: essa decepção é nossa!


Depois do sucesso de branding da JBS com a Friboi, Roberto Carlos estrela campanha esquisita, com péssima criação e roteiro.

A Friboi é um dos melhores cases para se discutir commodities, pois até a sua ascensão para o mercado, não se pedia carnes por marca, se comprava simplesmente pelo corte. Isso se deu graças ao excelente trabalho e investimento em confiança na marca, em que Tony Ramos fez diversos comerciais com o mote “Carne confiável tem nome”, assim, enfatizando para o consumidor exigir Friboi em todos os estabelecimentos.

Com esse grande investimento da JBS – grande rede de frigoríficos que detém a marca Friboi – a empresa pôde agregar valor a seu produto, cobrar mais caro, as vendas dispararam e fez com que revendedores também busquem credibilidade ao fornecer Friboi, açougues e restaurantes adotaram o selo da grife de carnes, atestando a sua procedência. Sem dúvidas, um trabalho fantástico.

roberto carlos friboiEntão, no início da semana passada a empresa divulgou que Roberto Carlos estrelaria a nova campanha. Pelo visto, o comercial foi feito totalmente nesta última semana e todo o dinheiro da produção foi para pagar o cachê do astro, ao analisar a qualidade da produção do comercial.

Roteiro e textos fraquíssimos e desconexos resultaram em um comercial esquisito, em que você assiste e fica meio perdido nas falas do garçom com o Roberto Carlos. Depois todos começam a rir de uma forma menos natural que um dentista falando com a filha sobre cáries em comercial de pasta de dente.

Ainda tem o fato que Roberto Carlos deixa de ser vegetariano e volta a comer carnes, o que gerou grandes críticas de seu público. Isso realmente foi ainda mais estranho e acaba sendo indelicado, pois agride quem possui essa cultura (só para acrescentar, eu não sou vegetariano, não essa a questão).

O anúncio produziu grande buzz na mídia e foi visto por milhões de pessoas, porém na minha opinião sempre que uma imagem negativa é transmitida junto à marca, não é bom. As pessoas devem lembrar-se de nossas marcas e ter simpatia, boa imagem e isso é o que traz credibilidade. Acredito também que deva sempre haver equilíbrio no investimento, quando se emprega muito dinheiro para contratar uma celebridade, não pode faltar para a produção do filme, pois o investimento se torna praticamente perdido. Como publicitário, sei que o público se identifica muito com artistas, mas não vamos perder a criatividade e a produção de um belo comercial.

Escrito por Camilo Leles

Trident Restart-se: é isso mesmo? Não pode ser sério

Restart-se, reinicie, recomece… Não seria um bom conceito de campanha? Até seria, se não fosse de uma das bandas mais exóticas e contestadas do Brasil.

restartQuando vi pela primeira vez o comercial, perdi o começo e vi praticamente só a assinaturaTrident, restart-se, pensei que havia ouvido errado ou que não tinha entendido alguma informação do anúncio. Logo pensei em um monte de gente se colorindo, utilizando óculos gigantes e cabelos dos mais diferenciados, mas esperava estar enganado no que havia escutado. Então, ao ver o vídeo pelo Youtube, realmente era aquilo. O conceito é de recomeçar algo que não está bom, de melhorar o seu dia.

Nada contra os fãs da banda, aos músicos e ao gosto musical, isso realmente não é relevante. A questão é que todos sabem que a Restart é uma das bandas mais criticadas e difamadas por sua extravagância, e quem gosta também sofre com isso. E ao ouvir “Restart-se” a primeira coisa que vem a cabeça é essa banda.

Pior ainda é quando você analisa o comercial. Todo mundo no congestionamento, começam a mascar o Trident, colocam os braços para fora, remam e o trânsito flui. Primeiro, dirigir com os braços do lado de fora é proibido por lei (é verdade que as letras miúdas avisam, mas não é bem visto), e outra que a fantasia do momento não faz sentido algum, os carros não vão andar por causa disso e, sinceramente, que criatividade fraca, pois apresenta apenas um jeito de melhorar o seu dia.

Mais uma vez digo, nada contra a Restart e seus fãs, mas o conceito de “Restart-se” transmite que vamos adotar o jeito da banda, e sabemos que não é bem visto pela maioria das pessoas. Seria a mesma coisa de comparar a sua marca a um clube de futebol, exemplo “São Pauline-se” ou “Corinthianise-se”, pois há alguns conceitos estereotipados difundidos nas mentes das pessoas que transmitiriam isso à marca.

Daria a dica ao marketing da Trident de “restartar” é o conceito da campanha.

A campanha é assinada pela F/Nazca S&S.

 

Escrito por Camilo Leles

Colaboração Gabriel Jensen